Às vezes um beijo teu me basta. E ficar nele seria tudo naquele instante, quase eternamente se houvesse ar o bastante, se houvesse vida suficiente e ela fosse só isso. Às vezes nada que entregas, por mais vasta que seja tua ida, teus caminhos longos esguios lisos e claros, me resolve. Nenhuma noite. Nenhuma hora profunda, enquanto desbravo de novo aquilo que já sei e me ocupo de ti e do teu corpo. Nada sacia. Tua oferenda é sempre toda, teus lábios são sempre mais e mais abrangentes e me alcançam longe. Tuas mãos são sempre leves por mais força e fome que sintam de mim, sobre mim, a meu respeito. Teu sabor é sempre outro, mais novo, mais intenso e apurado, como água de mar, como vinho seco. Branco. Às vezes saber que estás ali e me pertencerias se eu quisesse, me sossega a alma. Outras vezes, saber que tens passado me faz virar a noite em claro. Nada que eu sinta tem constância alguma. Nem dentro de um mesmo dia que clareia e escurece, que desperta e se rende ao sono da tarde. Nada que eu seja é previsível. Estou. Agora estou só e só quero estar para estar contigo quando estar contigo for tudo, novamente. Às vezes eu não basto a mim, que quero mais do que isso tudo. Ainda é pouco. Outras, o que sou me toma tanto de energia e força, que só preciso da calmaria nos lençóis e muitas horas quietas, muitas. Horas.
Necka. Acho que 04.08.2011
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Leio.