Sempre cantei Sampa quando cantava em bares. Mas a letra, na sua mais íntegra perfeição, só me coube agora que resido nela. Especialmente no trecho:...quando eu te encarei frente a frente, não vi o meu rosto/chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto/é que Narciso acha feio o que não é espelho/e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho/nada do que não era antes, quando não somos mutantes...; não sou mutante. Me fiz ser. Às vezes me agrada o exercício disso. Mas minha alma enraizada, dos pampas, sente falta do chão verde-largo conhecido. Ouso exercer uma parte minha que, se veio a se apresentar, é porque assim o quis o Criador-Mestre. E quando reencontro canções antigas, elas acabam por ter uma outra face que desfila num outro olhar de entendimento. Se mudei, não sei. Mudei de endereço, de ruas, de cep, de paragens. Mas minha alma anseia por voltar à terra onde ela se reconhece melhor em seus espelhos – nada mutantes, espero. Quero tocar com meus dedos mais velhos ao lado do Primo Sábio de Notas Generosas! Ver crescer o piá pelo qual rezei a São Judas que curasse logo, ainda aquela tarde. Conhecer em breve ao novo Sementeiro que chegou este ano, Vicente. Olhar a luz de inverno de Porto e fotografar o céu absurdo espelhado no Guaíba. Se lá a lua vai posar nua como o faz aqui, na minha janela, não sei. Mas se houver os mesmos sorrisos fartos dos meus amores, me basta. E o despertar feliz dela ao meu lado todas as manhãs. Quem sabe lá volto a cantar Sampa num dos bares, de longe...
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4 de ago. de 2011
Sampa
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Leio.