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6 de set. de 2011

Espelho & Ponteiro

Um menino só. Talvez ele seja apenas só, na sua conexão com o que vê. Nada pode fazer contra as alterações do tempo. Mas tenta, tenta entender como manter-se assim, menino e lindo. Não entendo desse mundo onde ele vive, passeia, desfila; apenas compartilho do fio ínfimo de tristeza que paira nos olhos dele, quando ele se entristece por não ver-se como quer. Talvez ele apenas esteja só, passeando pelas coisas que espera dele mesmo. Ainda que às vezes menos faceiro, ele ainda emite sorrisos lindos. Tem uma doçura, um carinho, um abraço sincero de amigo que quase pede por socorro, faz o tempo parar! O tempo não para, amado. Ainda que tu e eu lutemos para que cada hora boa se estenda e cada hora tola se encurte. Nossos motivos são diferentes. Agora, meu tempo toma outra forma, outra dimensão que não conheces. Cada segundo conta, como se o fato de não haver volta, fosse ficando insuportável. Cada dia conta, como se fosse o último e eu precisasse dele antes mesmo de precisar de mim. Diante de nossos espelhos há verdades. E ponteiros. Dias caem em queda livre do calendário. Nem vimos. Não percebemos que, a cada um, já não somos mais. Talvez ambos sejamos sós em nossos mundos – cada um tentando parar o tempo, manter tudo como está porque está bom assim. Mas se não fosse pelo mesmo passar dos dias, não teríamos criado laços, trocado coisas, olhado um nos olhos do outro com entendimento e compaixão. E a beleza que vejo em ti, não teria ultrapassado a estampa que exibes. Ainda prefiro o menino puro que revelas quando ris, o coração sensível que teus olhos mareados deixam vir à tona. Talvez sejas só onde a beleza se enxerga. Mas tens todas as pessoas do mundo, onde tua alma se forja e se contorna. Lá, dentro, estamos todos nós.

(dedicado ao Mika)

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