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6 de set. de 2011

Quero concordar


“…um dia quem sabe, tornarão-se doces as lonjuras…”
(Sheyla de Castilho)
Ah…tomara tenhas razão. Que possam um dia tornarem-se doces as distâncias. Nunca as aceitei. Ainda não. Mesmo com estradas infinitas abrindo-se abaixo dos meus passos, mesmo com encontros, novas vozes e um oceano de palavras, ainda assim, ecoa em mim tudo que dista. Os planos que fazia, as noites que varava, as velas que acendia, as coisas que doava e recebia; as mãos dos meus amigos, as ruas da cidade, as árvores movidas e toda essa saudade. E se afasta, antes e acima de tudo, o que fui, de mim. Ainda que minhas palavras tenham sido mais tuas do que jamais foram de quaisquer outros olhos, ainda que tenham invadido a solidão farta das tuas, ainda assim, mantidas contigo, não mais estão. E tudo que não mais está, tira de mim. De dentro. De onde mais preciso. Preciso entender o porquê das lonjuras para aceitar que sejam? Não entendo. Por mim todos os poetas habitariam uma mesma morada de loucos, todos os amigos estariam perto, todas as lembranças gravadas em video, todos os mares no mesmo destino…

Um comentário:

  1. sim, tomara que minha poética tenha sentido... lonjuras doces podem ser a saudade gostosa, um sopro de boas recordações, daquelas que não doem, livres de penas e cálculos de tempo. lonjuras que sem solução, transforme-se na irremediável espera do passar do tempo e como diria caio fernando abreu: que seja doce, que seja doce...
    meu carinho,
    (sheº

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