Dia Internacional do Amor – bendito seja ele, o amor. Não, não é que eu seja contra amor. Não é nada disso. Sou contra, sim, ao que pessoas, de modo geral fazem com a palavra. Sim, prefiro paixão, fato! Mas me rendo ao amor como entendo que ele seja. O termo “amor incondicional”, para mim, por exemplo, não passa de uma redundância pleonástica. Se é amor, só pode ser incondicional. Se houver condições, deixa de ser. Amor é algo que está no universo, sobre nós, por volta de nós (ar) – não pertence nem está contido em ninguém. Se tem ou não se tem capacidade de sentir, sorver, inspirar e expirar amor, enquanto estamos com alguns, na presença de. Como diz o Freire, amor se sente COM as pessoas. E pode ser por um Fabiano, durante um evento, por 5 dias, como pode ser pela Avó que vejo pouco e de quem me despeço sempre aflita, me perguntando se irei revê-la. Súbito ou vitalício, amor se sente com.
Amor consiste em ir sempre e sempre mais além. Não tem nada a ver com abrir mão, também. Tudo que deixei para trás, deixei porque era a hora, dentro de mim, de seguir àquilo sem o qual eu não poderia continuar vivendo bem. Se deixei, é porque o deixado, não causava mais o amor são, sadio, puro, limpinho, verdadeiro, bom, feliz, contente, faceiro, auto-sustentável e natural. Se deixei porque quis, quis porque tive motivos, então não abri mão de nada, pelo contrário: adquiri o que mais queria. Se queria, me presenteei com isso. Ceder também não tem nada a ver com amor. Ceder se cede ao que não se quer mais que a tudo mais. Quando dôo, o faço por ser necessário em mim, doar. Tipo... dizer por meses e meses consecutivos: não, amor, não quero tirar o carpete. E, um dia, sem mais nem menos, porque gosto de vê-la sorrir e reagir feliz, tirar o carpete por minha conta, como surpresa de aníver antecipado. Amor em mim, consiste em ir mais e mais longe, pedir perdão não estando equivocada, estar onde não quereria estar por livre vontade, por não poder ficar sem. É isso que nos acomete, tipo um vírus mesmo, de não conseguirmos de jeito nenhum, ficar mais do que 1 dia longe uma da outra. Não dá, simples assim, não dá! É querer ficar junto, fazendo tudo junto, mesmo quando declarei a vida toda que detestava grude. É dar risadas das atrapalhações cotidianas, sem vergonha de tê-las feito ou assistido. Rir com! Rir do jogo de canastra, fazer concurso de gritos dentro do carro pra ver quem consegue gritar “eu te amo” mais alto, achar lindo a desafinação dela, achar tudo feio e sem graça longe dela. Sinto um amor que nunca vivenciei antes – sem dores. Meu coração, agora, sendo monitorado, está feliz e normal, curado! E amor também não é, de jeito nenhum, “no mesmo barco até morrer abraçados”... amor é para viver abraçados. Amar, significa permitir que o outro seja, na íntegra, a melhor versão dele mesmo, livre, desimpedido de exercer felicidades mínimas, apto a ganhar mais aprendizado, festejar com ele quando ele volta maior porque cresceu, assistir a ele quando está em seu mundo, rodeado de seus brinquedos favoritos, embora esteja ele com ele mesmo, deixar que ele vá e volte porque quis voltar, fazer a comida que ele quer mesmo que queiramos outra, só para saber da alegria dele ao sentar à mesa...é nunca ter certezas, a não ser que, sem ele, não dá. É odiar todos que o fizeram sofrer antes, todos que machucaram, deixaram a solidão reinar nas suas noites...; é querer que todo mundo veja que lindo ele é, compartilhando dessa beleza sem proprietários. É fazer mil fotos e nunca conseguir a que revele tudo que está ali. É não conseguir fazer canção com o nome dela, porque seria pontuar o que não pára de crescer. Amor, para mim, justifica estar viva – mais ainda, faz querer querer viver. É isso que se sente quando se quer perdoar o mundo pelo que o mundo fez e querer que o mundo perdoe pelo que eu tiver feito, sabendo ou desavisadamente. É sentir que tá tudo bem, afinal de contas. Deu tudo certo. Estava escrito assim, porque assim seria melhor. Amor é isso que nos faz encontrar dentro da gente uma paz que ninguém deu e ninguém tira. E aceitar que os amores que passaram, duraram o tanto que lhes cabia, foram legítimos enquanto viveram, cumpriram a tarefa que lhes fora atribuída, foram reais enquanto estavam lá, mas..., como a vida de alguns, chegou o fim de seus caminhos. São propósitos divinos que não nos compete saber. São datas de início e final que não prevemos. Como não prevemos o começo do sol e sua retirada. Nos cabe amar. Enquanto o amor que sentimos estiver em harmonia, afinado com tudo que nos toca pelo bem. Quando amor virar peso, não é mais ele que está ali. Talvez seja qualquer coisa disfarçada...lobo em pele de cordeiro...e é nossa responsabilidade saber que ali não reside no ar um sentimento nobre e bom. Para o amor, sempre disposta, minha alma celebra agora o Dia. Com a fé de sempre, com a alegria que aprendi a conservar dentro desde que aprendi a amar sã. O amor traz a cura de todas as coisas. Benditos sejam os amores de todos nós! Bem ditos!
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Leio.