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13 de fev. de 2012

Luzia

Não sei se meus olhos nasceram negros. Creio que tenham ficado mais negros com o passar do tempo. Viram tanto, tanta coisa que não viste – e quero que não tenhas de ver. Meus olhos viram a brutalidade de muitas palavras, contemplaram o fio brilhoso da lâmina, se espantaram com a crueza dos cacos de vidro, decoraram a cor das gotas de sangue, assistiram partidas, derramaram rios de dentro de si e cada lágrima é tão profundamente única; meus olhos vislumbraram cenas tão devastadoras...acompanharam o bater desesperado do peito, fora de ritmo, fora do tom...tentaram acalmar as mãos trêmulas nas horas de susto...procuraram luz onde havia chegado o todo do breu...meus olhos foram se enegrecendo mais e mais durante os anos. Por isso pesam, me pesam, me custa ainda lavá-los.

Teus olhos claros não merecem a vida que vivi. E quero que nunca a conheças como eu, que nunca te acometas das coisas que provei. Quero teus olhos clareando mais a si mesmos e ao que te entorne. Teus olhos agora me devolvem a luz tardia que, finalmente, veio.

Necka. 13.02.12

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