Fui vindo, tateando também o caminho. Quase não havia pernas, passos, pedaços seguros naquele chão. Fui vindo, adivinhando também como vir. Como se, voltando a andar, simplesmente, começasse a fazer um curso qualquer naquilo tudo. Eu vim. De mãos quase vazias. Não tinha nada. Sem defesas, sem pátria, sem promessas, sem armas. Apenas indo, como se, voltando a andar, fizesse algum sentido. Não entendia aquelas ruas que via do alto, quadradas e parecendo sob medida. Não decorava aqueles nomes, fórmulas, direções, por mais que tentasse. Nunca tive métrica. Sempre me guiou o que sentia e, o que se sente, não tem forma. Vasto. Era vasto o que havia por ver. Fui vindo, acompanhando o que sussurrava meu peito em chamas. Assisti ao fogo devorar tudo que havia deixado para trás. Cheguei a respirar as cinzas daquilo tudo. Mas fui vindo igual. Porque alguma coisa me dizia que encontrariam eco minhas notas, encontrariam destino as minhas mãos. E eu descansaria à sombra no amor onipresente, e meus lábios nunca mais teriam de se ocupar de dizer coisas, e meu corpo enfim seria de si mesmo e seria livre. Vasto. Era vasto o que havia por ser. Eu também não tinha como saber onde daria aquilo tudo. Mas ainda acreditava. E, indo, achava que abria caminho, floresta adentro, inventava trilha, daria em algum topo de alguma coisa, alguma vista incrível de algum mar azul. E lá haveria uma canoa esperando ocupação. Pequena. Onde coubessem apenas um único desejo a quatro mãos. Infindo. Fui vindo. Achei que vinhas comigo esse tempo todo. Que eu seria o destino das tuas mãos. Que serias o meu. Vasto. Infindo. Fui vindo.
Necka Ayala. 14 de Março de 2012.
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