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7 de ago. de 2012

Definitiva (fragmento)

"Foram precisos sete mil enganos, sete mil mentiras, segredos, incertezas, partidas, dúvidas inventadas, palavras indecisas, noites adiadas, gestos trêmulos, passos hesitados, vestes descabidas, para fugir de ti. Mas ao fim delas, de todos os sete mil desvios que fiz para não vir, já não havia caminho a percorrer. As frestas o tempo foi fechando... e eu crescera, já não passava mais por elas. Os véus já rotos perderam formas, transparentes demais. As palavras, represadas, vazaram feito rio farto de chuva: não pude contê-las por causa da verdade de algumas, ditas sem que previsse. Meus gestos, disfarçados de tudo que distasse do amor, foram desmascarados, flagrados tontos de tanto tentarem não ser. Sete mil motivos me dei para não ver-te. Fechei os olhos, cerrei os lábios, provei mil beijos, andei a esmo, deitei com outros, troquei de planos, mudei de idéia, achei desculpas, enchi as mãos de coisas vazias...até...lavar o espelho sem querer; e ao fim, me ver nítida nele. Sem pensar, fui me aproximando, chegando perto como quem quer ver que cor tem hoje seus olhos, depois da idade, que passa. Quando vi, era tarde: dentro deles a tua imagem – e eu, sem ar por um instante - teu nome, teu rosto, teu beijo, teu cheiro, tua presença. Não sete mil vezes, mas uma única vez...definitiva."

Necka, 2006.




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