O
que transborda minha alma de contentamento.... nem sei se seria contentamento a
palavra certa... penso, penso e não sei que termo usar. Talvez uma sensação
interna, muito muito profunda de entendimento, sei lá. Mas enche a alma e isso
basta. O que transborda minha alma, não
é a satisfação de ter feito outra letra, nem as canções que passaram por minhas
mãos. Nem os textos que publico, que mais se tratam de desabafos
compartilhados. Não são os desenhos, as pinturas.
Muitos
são os que chegaram recentemente a mim. E perguntam quem sou, onde eu estava,
por que essas músicas não estavam antes onde se pudesse encontra-las.
Quem
sou? Sou a que se sente repleta de emoções absurdas quando acontecem cenas como
nos posts O Coco e o Fabiano, Carta
para Cíntia, esses! Essa sou eu.
Sim,
sou filha do grande Wilson Ayala. Biologicamente falando. Um grande músico, sem
dúvida! Sou sobrinha do incrível Walmir Ayala, ultra escritor. Também. Mas o
que sou, essencialmente, é irmã duma guerreira, Silvia. Criatura pequena que
luta, mas luta muito para que a vida sorria de volta como ela sorri pra vida.
Sou filha (de criação) da Avó Olinda – que além de minha avó paterna, foi mãe,
amiga, madrinha; pessoa de fibra, de caráter, de força interior inabalável! E
essa, declaro: meu exemplo para todas as vidas que eu viver.
O
dom pode ter vindo via-dna. E sou grata por ele ter percorrido o caminho. Mas o
exercício de sentir, partilho com outras pessoas.
Com
o olhar de duas dessas recém chegadas, Lu e Paula, enquanto eu contava
histórias. Com Marcelo, dizendo que não conseguiria dormir enquanto o Correio
não entregasse o cd para ele ouvir Arqueira. Com Roque, saindo do Tom Jazz e
vindo falar da letra. Com Ieda, cansada como nós, no final da desmontagem da
Zélia, amada, prevendo o que fazer para diminuir o nosso fardo. Com Ronaldo,
vindo instalar o chuveiro, todo feliz com a nossa casa nova – linda como talvez a dele jamais será, faceiro e
dizendo: vocês merecem! Helena, que me contou sua história e partilhou a parte
de vento que agora lhe pertence. Com o jardineiro do prédio antigo, quando
fomos buscar a correspondência, feliz em dizer que a filha escuta o cd todos os
dias! Ou o Pinha que me abraça muito mais apertado quando me vê, do que o Zeca.
Com a generosidade do Jether, também, claro! Claro que sim! Mas quando o calor
vem de quem não tem obrigação...., nossa, vale tanto mais! Gus, Douglas,
Elenice, gente que é gente, que faz de uma luta doída e pesada, sentido e
bagagem!
Nessas
horas, lembro da irretocável letra da Vanessa da Mata, antes...bem antes: “...o
corpo que entorta para a lata ficar reta...”- é gente assim que me faz ser quem
sou e me transborda, seja de contentamento, de entendimento ou, simplesmente,
de amor à vida. No final das contas,
gente, eu sou só o Coco do Fabiano ou o Nescau do Jefferson. E o que eles
fizeram por mim, em mim, não tem mesmo palavra.
Necka. 06/10.
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