Que
as portas se abram para aqueles cujos passos, nem sempre sólidos e firmes, nem
sempre fortes e sãos, apenas seguem indo, como se o próprio caminho forjasse
pés. Que as passagens se alarguem para aqueles cujos dons não são perfeitos,
mas carregam em si toda a verdade, dons que validam a vida e fazem seus
donos, muitas vezes, quererem continuar a fim de exercê-los. Que ouvidos
sedentos encontrem as vozes nascidas da legitimidade e da humildade e que
possam ser cúmplices da jornada destinada a elas. Que os espaços percam
fronteiras e os loucos possam andar livres, distribuindo o bem e a ousadia de
tentar ser quem são a despeito do mundo irracional. Que a nudez própria da
perda de todas as máscaras, possa ser abençoada pela luz plena do sol. Que os
corpos cansados das batalhas justas, possam ter sobre si o bálsamo enviado
pelas mãos de Deus, nosso Criador em sua delicada e sutil concordância. Que o
tempo pare um pouco a cada vez que um inocente partir, cada vez que um coração
bondoso e raro parar de bater. E que silenciem os demais em reverência. Que
tenham piedade de nós, nossos santos, nossos anjos e possam, junto ao Pai,
sussurrar ainda alguma prece, saída do mais puro instante de nossa súplica. Que
o dia se abra ao mesmo tempo em que se abrem nossos olhos esperançosos. Que a
tarde aqueça ao mesmo tempo em que requentamos nossos sonhos tardios. E que a
noite desdobre seu manto azul escuro, proporcionando alento, ambiente, calma e
serenidade aos bons que precisam dormir, suspirar e sonhar um pouco mais. Que a
luz celeste alcance àqueles de boa-vontade, que andam nus e desarmados pelas
ruas, aos quais nada mais importa, nada, nada significa tanto quanto ir, ir
além, mais um pouco, rumo ao que simplesmente e irremediavelmente, são – seu TODO.
Necka.
19 de Outubro de 2012.
Dedicado
àquela que me fez perseguir tempestades e caçar a mim mesma: Cle! Feliz Aniversário!
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Leio.