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19 de out. de 2012

Platéia


Ouço agora ao canto insistente do pássaro. Nesta manhã, ele não veio pousar sobre a janela, próximo. A manhã se abre indecisa sobre o que será. Já reguei as plantas e varri o chão da varanda. Há folhas acumuladas num canto, onde o vento não as espalha. Faz algum frio. A casa cheira a café recém passado e a rua, cheira a trânsito. Não sei o que será do meu dia, mas acato às decisões do céu, tomada de uma sensação repentina de simples contentamento. Algo como um Amém, pronunciado previamente...previamente otimista. Acho que foi a música quem deu o tom deste começo de dia. O dom alheio e absurdamente real. Canta o pássaro a procura de par, cantam vozes a espera de ouvidos e corações quentes, abertos. Cantam sirenes e hélices vão cortando o azul claro de São Paulo. Quando a vida canta assim, orquestradamente, me calo...paro...presto atenção e tudo, de repente, faz sentido.

Necka.

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