Fito
a vista deste terraço. E ela me parece infinita, enquanto dura o tempo que
posso por aqui. Mas meus olhos andam cansados, gastos, enxergo menos do que há.
Contemplo o topo dos prédios, as asas dos pássaros, ouço seus gritos exibindo
liberdade. Liberdade que as árvores não têm – seus topos dançam a mercê dos
ventos enquanto suas raízes se embrenham, terra adentro, como as certezas nas
quais nos agarramos. Do terraço todas as coisas são diferentes do que vês,
enxergas menos do que há. Observas a tudo de onde passam teus passos, rentes ao
chão, onde mora a realidade. Nunca entendi como possível a vida ser mantida em
cativeiro, traduzida pela razão que não me basta. Daqui, é como se não tivesse
pernas, braços, ventre – só o que sinto tenho de fato – entre o que pulsa e o
que agoniza. Viver sempre foi a extensão precisa do que sinto. Só sei sentir. Não sei ser. Não sei ter, não
sei nada mais. E ainda assim, sinto menos do que há.
Necka.
26 de fev 2013.
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