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26 de fev. de 2013

Aquém


Fito a vista deste terraço. E ela me parece infinita, enquanto dura o tempo que posso por aqui. Mas meus olhos andam cansados, gastos, enxergo menos do que há. Contemplo o topo dos prédios, as asas dos pássaros, ouço seus gritos exibindo liberdade. Liberdade que as árvores não têm – seus topos dançam a mercê dos ventos enquanto suas raízes se embrenham, terra adentro, como as certezas nas quais nos agarramos. Do terraço todas as coisas são diferentes do que vês, enxergas menos do que há. Observas a tudo de onde passam teus passos, rentes ao chão, onde mora a realidade. Nunca entendi como possível a vida ser mantida em cativeiro, traduzida pela razão que não me basta. Daqui, é como se não tivesse pernas, braços, ventre – só o que sinto tenho de fato – entre o que pulsa e o que agoniza. Viver sempre foi a extensão precisa do que sinto.  Só sei sentir. Não sei ser. Não sei ter, não sei nada mais. E ainda assim, sinto menos do que há.

Necka. 26 de fev 2013.

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