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25 de set. de 2013

Liberta

Por alguns trechos ainda deste longo caminho, vim segurando à mão que soltaste de mim. Quis mantê-la a postos, pronta para qualquer súbito rompante teu de sentimento, como se fosse aquele último suspiro forte e inesperado antes da morte. Tentei mantê-la aquecida às custas do sol que reincidia a despeito do breu que me entornava dentro, tua ausência decidida e irredutível. Procurei sustentar a leveza da pele, a textura de pétala que descrevias dela. E ainda que o caminho fosse a cada dia mais escarpado, mais ásperas as pedras nas quais se dependuravam mão e esperanças, creio ter conseguido manter réstias de vida, fios finos como teus cabelos que já não tocava mais há muito. O tempo e o frio da tua mão, esticaram por demais a corda. Olhava dali e via que seguravas outras coisas, muitas...malas, objetos, figurinos, pesos alheios que foste carregar. E minha mão aguardava às voltas, esperando quentes, querendo que voltasses querendo aquecer nela, à tua. Afinal, julgara eu, para isso tinham sido feitas as mãos, as nossas. Para comungarem da celestialidade do encontro. Para darem de beber e de comer aos desejos mais sublimes uns dos outros quando nos encontramos em partilha. Para a feitura da felicidade breve e diária, nascedoura de todo sentimento bom e plural. Voltaste muitas vezes de lá. E a nada mais querias senão seguir soltando mais e mais coisas. Querias mais frios, mais malas, mais paragens, solidão, transitoriedade. Teu amor provisório encontrava o meu definitivo. Um visitante diante de um hospedeiro. Agora que te assustam as cenas de futuro às quais não previste ao soltares a tudo, hesitas. Olhas a mão ainda quente e quase consegues querer ser, uma vez mais, um pouco feliz e aquecida. Mas o tempo fez com que a minha mão olhasse para o lado por um instante e contemplasse à liberdade do que sou. E ela me pareceu ter olhos mais azuis que os teus – olhos que querem ficar para sempre.


Necka Ayala. 25/09/2013

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