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4 de nov. de 2008

Carnificina

Alguns dizem que não comem carne.
Por acaso sabem quanto sangue custa um poema?
Quanta lágrima, quanta carnificina?
Ao menos se ocupam de suspeitar
quanto sentimento é preciso destrinchar,
quantos ossos se contorcem pela noite,
quantos desassossegos se dão,
antes da palavra certa, - tempero medido,
a cada descontrole da razão?
Será que lhes ocorre a cena, ainda que imaginada,
De nossos corpos fechados, presos, atados
A desejos inúteis, fins dilacerantes,
Vindas impossíveis, idas adiadas?
Serão de vidro as pareces do cárcere sentido?
Então, assistiriam como a um circo,
Um festival de horrores a cada poema assinado,
A cada promessa de vida, mais vida, abortada?
Quereriam ver o nosso desespero,
A dança suicida de nossas palavras,
Se atirando feito loucas das janelas de nossos olhares!
Seria por ventura prazeroso o gesto
De comungar esse rito kamikaze,
Essa entrega sem retorno,
Esse contornar de coisa alguma
Em nome do todo do nada?
Por acaso medem de quanto sangue se nutre um poema?
Da quanta lágrima, quanta carnificina?

04.11.08, 21h22

2 comentários:

Leio.