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10 de nov. de 2008

Do que será este dia?
Das cordas? Das teclas?
Dos silêncios? Da imobilidade
Ou do fogo fátuo que se aproxima?

De novo, das 4h às 7h. O silêncio da rua às 4h é quase inteiro.
Não houvesse vizinhos, eu pegaria a guitarra e feriria a delicadeza desse momento
todo meu. Só meu. Só. Meu. Isso não é tristeza, isso não é dor. É tempo de constatação.
De busca por respostas, amada Gica – logo, espera, logo virá uma canção para cantares.
Eu estava viva, embora apenas flutuando na superfície possível das coisas que vivia. Estava no gerúndio, indo...apenas indo. Recém tinha subido à tona. Foi quando houve aquela visão, aquela aparição que disse ser como a de um anjo. Daquele dia em diante, nunca nada mais foi igual. Foram noites viradas, dias de insanidade nas palavras; estado de errância. E isso não é triste e não é dor. Era o próximo instante. Não fujo de nenhum, não fugiria daquele. Compositores ficam assim, disse-me minha amada Rô: entram em uma espécie de clausura e ficam ali, absortos na criação, sem dias, alimento, sono, sem descanso. Um momento necessário até que finde o que os levou para dentro.
Pode um anjo tanto? Aí é que está! Quem procura respostas, acha!
Não era um anjo. Foi apenas uma palavra escolhida para poder estar onde estávamos com quem estávamos falando. Uma idéia instantânea que ocorreu ali, naquela hora, para podermos falar. Não era anjo nenhum. Nem poderia: de anjo, não tem nada! Era a Lua, sim. E é bem coisa de lua tirar o sossego da gente. Mas isso também vai passar ‘Qualquer Dia’...


Nessa calma sertaneja
De quem sabe o que fareja
Eu te encontro qualquer dia
Ah eu te encontro qualquer dia
Já conheço os teus rastros
Já comi no teu prato
Já bebi tua cerveja
Eu conheço o teu cheiro
Eu te encontro qualquer dia
Ah! Eu te encontro qualquer dia
Logo quem me julgava morto
Me esquecendo a qualquer custo
Vai morrer de medo e susto
Quando abrir a porta
(Ivan – ELIS!)


Uma Lua morta de medo.
Tem mais medo que tudo. Quase não tem nada, mas medo ela tem. E o medo a fez esquecer. Ela pegou as coisas mais lindas e tratou de dar jeito nelas. Tinha uma coisa intensa e inteira, que ela soube esquartejar em pequenas porções na intenção de enfraquecê-la. Tinha um calor intenso, um incêndio que ela cuidou de ir assoprando, dia a dia, até virar uma chamazinha ínfima na ponta do fósforo com que acende o fogo pra passar café. Tinha um desejo louco que ela controlou – eu ensinei! Tinha uma saudade forte que antes a fazia vir correndo na primeira fresta – saudade que ela deve ter matado à força olhando fotografias, reprisando vídeos, sorvendo o cheiro do lenço até que ele se dissipe como se dissipam as neblinas. Tinha a pegada forte que ela trocou pela covardia. Lua-Jardineira, enterrou um corpo no próprio jardim. E deve ter regado com águas que me pertenciam.
Tinha palavras-chave que ela traduziu para um silêncio eterno. E aquelas palavras são as coisas mais difíceis de esquecer. A voz. A cara linda que a Lua tinha e que hoje me lava os olhos. Não sei o que ela fez do encanto, da bênção, do sagrado. Com essas coisas não se mexe. Que Deus perdoe e que Ele me ensine o perdão. Entender, tento sozinha, Deus-Professor! E isso não é tristeza, nem é dor. Não estou sofrendo. Não preciso de amparo, Morena, não vou morrer disso, Fê! Vou morrer de amor. E feliz. Num instante outro, projetado, esperado, que virá sim! TODO! Vou morrer durante o beijo mais perfeito, de falta de fôlego, ouvindo a canção-carta-na-manga que não será da Lua.
Porque eu, embora pareça sempre exposta, nua, a mercê dos
“demais-perigos-desta-vida-pra-quem-tem-paixão” (salve Vinícius! E eras tu, afinal!), não estou! Isso não tem nada de triste, nem de dor. É entrega! Entrega pura, entrega sã! É isso que é, entrega! Deixar que seja deixar que venha deixar que vaze que transborde que derrame tudo em volta deixar que saia que transmute que transcenda que esvazie! Deixar dito deixar sido deixar louco deixar bom! Intensidade é isso, é viver tudo é viver todo é entrega! Me entrego. Me dou ao que sinto. E sinto tudo. Inclusive medo. Mas ele é menor que a paixão. Ou a coragem de viver o dia de hoje é que me dirige, me guia, me sustenta dia afora, noite adentro. É a entrega que me alimenta vida afora, tempo adentro. É a certeza que sempre tive de tudo que me garante que, do teu jardim, do corpo enterrado nele, também nascerá flor. A natureza é mais forte que o medo. Tanto, mas tanto, que por mais que teu coração e teu corpo queiram, não vão esquecer. Qualquer dia, quando menos esperares, verás flor, terá vida ali! A natureza é mais forte e ela irrompe a terra, transborda a terra, cio da terra,
gelo que chega à superfície da taça, queiras ou não!
A paixão é mais forte que o medo.
E a flor é mais potente que o esquecimento:
Rosa de Luz, Rindo pro Céu: PLAP!
Necka Ayala - vai, diz meu nome! Pronuncia! Agora!
12h31.
10.11.08
"...adoro pronunciar o seu nome, necka-ayala, adoro..."

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