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15 de dez. de 2008

Completude

Todas as partes de mim vão ligadas a Isso. Numa completude qualquer que eu não tivera antes. Não sabia que seria assim. Mas é e não posso deixar de ser fiel a mim. Meus Cavalos-Marinhos me lembram a todo momento sobre essa única fidelidade possível.
Minha cabeça argumenta consigo mesma, segue fazendo leituras à distância, entendendo motivos e fases em que tudo apenas está no gerúndio: se transformando, tentando, indo. Minha cabeça considera a vivência que tem e se veste dos recursos que construiu na razão mais sóbria.
Minha alma ainda pede que tudo siga sendo abençoado. Ainda se vê cúmplice de todos os milagres, de todos os arco-íris depois de todas as chuvas que caem, junto a todas as velas acesas e a todas as preces refeitas. E minha alma sabe que tem sido atendida, porque é legítimo cada pedido e infinito todo conceder de Deus aos justos.
Meu coração ainda acelera. Sente e nada pode fazer quanto a Isso. Sente ele todo, àquilo que sente. Não se isenta, não se poupa, não se defende. Ele contém um sentimento que persiste em querer o bem antes de tudo. Em usar das razões recém-reformadas e exercer a compaixão que lhe compete. Ele bate de acordo com a sensação plena de amor, de respeito, de fé, pedindo a Deus que o gerúndio dure somente o que tem de durar, nem um segundo a mais! E que venha logo o tempo em que cada encontro será possível e cada gesto será saído do abstrato, tornado real, feito fato. Ele dança a música dos anjos; e pronuncia palavras benditas, que sigam criando o amor libertário que permite essa distância absurda e ainda assim não fraqueja!
Meu corpo ainda reage. Ele não consegue ser indiferente, nunca mais foi. Identifica nele mesmo os cantos preenchidos, os espaços decorados pelos enfeites trazidos distância afora e a despeito dela. Cheiros, cenas, fotografias, palavras lidas gravadas nas retinas que nunca esquecem e jamais foram as mesmas depois de terem visto. Ele se deixa estar assim naturalmente. Acionado pelos ciclos, pelas marés, cedendo mais uma vez ao que Isso significa. Rendido à força absoluta das ondas, das águas; das lágrimas de saudade e das outras, de vontade de ver. Caminha errante às ruas enquanto ouve voz que não está mais e ecoa ainda. Ecoa dentro, feito um mergulho; no silêncio que há debaixo d’água, inteiro –feito pulsação de som. Feito corrente, puxando o que ele é e nem entende. Meu corpo não entende nada. Decide esquecer e não esquece, promete se conter e não suporta, tenta resolver e nunca basta, ousa se medir e não comporta. Atravessa madrugadas in-quieto, como se as horas não fossem nem passar nem dar sossego. E ele lembra, deixa, sente e se aproveita d’Isso. Permite que venha à tona toda a água contida, derramando sobre si mesmo tanto a ânsia quanto a ausência.
Todas as partes de mim vão juntas ligadas a Isso. Isso que não adianta, que não passa, que não silencia, que não parte por mais que se queira e se julgue melhor agora. Isso que não é mais e há ainda. Que se argumenta e não convence, que se envia à luz e rebrilha, que se despede mas volta, que se ameniza e não cura. Numa completude qualquer chamada o Todo do que sou quando sou toda tua.

Necka Ayala. 15.12.2008 – 12h11.

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