Não sei se sou maleável. Essa matéria-prima, essa coisa familiar, esse reconhecimento que vejo quando olho fundo direto no olho do espelho, parece ter sido forjada a ferro e a fogo, a caos e a apegos. Eu tento muito que se rompam moléculas, que se derretam conceitos, que se esvaiam de mim as coisas que acho que sei. Mas elas não saem. Não sei se sou moldável. Se caibo em invólucros, se sirvo a exemplos, se meço o que pareço. Essa célula-tronco que me deu origem, parece ter sido criada em definitivo, sem redimensionar-se nunca, por mais que tudo mude e a tudo movam, o tempo e a decisão tomada. Não sei se sou de alguém. Se posso pertencer assim, sem volta. As coisas todas que me habitam, vazam fartas de dentro e é visível. Não contenho lágrima, não seguro o jorro, não escondo o riso, não regulo a saliva do meu beijo. Tudo em mim é o todo. Me sinto o recipiente apenas. Fixo, pronto, decidido, feito para deixar passar por ele o que veio de passagem. Não sei se sou mutável. Mas eu queria.
Necka. 08.07.09
Necka. 08.07.09
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