Tento dizer a verdade sem ferir a nada, nem a ninguém. Mas acontece que a verdade, por si mesma, tem o peso que tem, tem o fio como é e eu não fiz a faca, nem a verdade. E a verdade é que sim, sou assim mesmo. E eu não me fiz, também.
Tem a mim, quem não me tem. O espaço que ainda resta, dentro, onde meu peito bate mais do que descansa, é do que falta ser vivivo e ele, ainda, não alcança. Sinto falta de coisas não vividas, de lugares nunca dantes visitados, e de outros dos quais pareço pertencer desde antes da infância. Sinto saudades de quem não deveria, sinto amor por quem não poderia mais, sinto vontades de ser só ainda que seja tua agora, mais do que jamais fora. Algumas horas...são somente algumas horas que preciso sair de tudo, dos ruídos da rua, dos telefones tocando, das coisas combinadas, das expectativas das pessoas. Preciso, é simples, mas preciso. Porque não posso deixar se repetirem tanto as coisas que são tão boas depois dessas horas. As coisas boas têm tanto cabimento! E meus espaços carecem esvaziar-se, de novo e de novo, sempre que podem, ser sós. Precisam sentir vez que outra, a lamentação da alma, o peso dos dias, a soma dos tempos, as rugas na cara, as coisas irreversíveis. Só elas são tristes de fato. As irreversíveis.
Andei deixando as teclas de lado, o violão na caixa – as cordas oxidaram, meus dedos estiveram cheios de vãos por entre eles. E dentro, havia essa necessidade urgente de sentir qualquer coisa mais forte, mais cortante, vulcânica, dramática. Se eu me afastar de mim de novo, quem estará aqui quando chegares? Daqui a algum tempo, abrirás a porta, dirás meu nome e eu não me reconhecerei – aquela, a pessoa que tratava de tratar o intratável; a mulher que vivera uma Teoria impraticável e te mostrou: viu? É isso! A poetisa que nunca soube fazer poemas, a música que nada sabe sobre música, a errante que contempla a vida como se fizesse parte. Tento dizer a verdade sem ferir. E deixar que ela vá esconder-se comigo por baixo das cobertas quando me escondo do frio, é ferir e é a mim. O fato, a verdade, é que não sei tanto sobre o Amor como sei sobre seu contrário. Eu não sei tanto sobre presença, quanto sei sobre saudade. Não sei tanto sobre receber, quanto sei sobre faltar. Enquanto me ensinas, só te peço isso: As Horas. E delas, a loucura que vem e passa, mas deixa coisas escritas, canções e cartas, alguma desordem pela casa e minha alma melhor.
NA.
Tem a mim, quem não me tem. O espaço que ainda resta, dentro, onde meu peito bate mais do que descansa, é do que falta ser vivivo e ele, ainda, não alcança. Sinto falta de coisas não vividas, de lugares nunca dantes visitados, e de outros dos quais pareço pertencer desde antes da infância. Sinto saudades de quem não deveria, sinto amor por quem não poderia mais, sinto vontades de ser só ainda que seja tua agora, mais do que jamais fora. Algumas horas...são somente algumas horas que preciso sair de tudo, dos ruídos da rua, dos telefones tocando, das coisas combinadas, das expectativas das pessoas. Preciso, é simples, mas preciso. Porque não posso deixar se repetirem tanto as coisas que são tão boas depois dessas horas. As coisas boas têm tanto cabimento! E meus espaços carecem esvaziar-se, de novo e de novo, sempre que podem, ser sós. Precisam sentir vez que outra, a lamentação da alma, o peso dos dias, a soma dos tempos, as rugas na cara, as coisas irreversíveis. Só elas são tristes de fato. As irreversíveis.
Andei deixando as teclas de lado, o violão na caixa – as cordas oxidaram, meus dedos estiveram cheios de vãos por entre eles. E dentro, havia essa necessidade urgente de sentir qualquer coisa mais forte, mais cortante, vulcânica, dramática. Se eu me afastar de mim de novo, quem estará aqui quando chegares? Daqui a algum tempo, abrirás a porta, dirás meu nome e eu não me reconhecerei – aquela, a pessoa que tratava de tratar o intratável; a mulher que vivera uma Teoria impraticável e te mostrou: viu? É isso! A poetisa que nunca soube fazer poemas, a música que nada sabe sobre música, a errante que contempla a vida como se fizesse parte. Tento dizer a verdade sem ferir. E deixar que ela vá esconder-se comigo por baixo das cobertas quando me escondo do frio, é ferir e é a mim. O fato, a verdade, é que não sei tanto sobre o Amor como sei sobre seu contrário. Eu não sei tanto sobre presença, quanto sei sobre saudade. Não sei tanto sobre receber, quanto sei sobre faltar. Enquanto me ensinas, só te peço isso: As Horas. E delas, a loucura que vem e passa, mas deixa coisas escritas, canções e cartas, alguma desordem pela casa e minha alma melhor.
NA.
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Leio.