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8 de jul. de 2009

Quereres

‘...Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor...’

(O Quereres, Caetano – trecho)



Teus braços são de levar o filho nos braços, vida inteira, tempo todo, para sempre. São de jamais deixar perigo, de nunca oferecer contraste, de jeito algum deixar que se abra abismo. Teu coração, quando aberto, abriga tudo que sente. E não fecha essa porta, não impede a fresta que haja, não cerra janelas e vãos. Teu coração quando dado, não volta mais a ser teu.
Meus braços são de andarem sem nada, minhas mãos se sabem livres, não aprendem a levar bagagem. Eu passo. Passo pelas coisas e as contemplo, observo seus traços e os descrevo, mas não as tenho. Meu coração nasceu torto, compreende a isso e se deixa invadir sem reservas, a todos, aos outros. Meu coração é alado, por isso talvez não seja, só esteja de vez em quando, com o teu.

Necka. 08.07.09

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