Eu não sei, simplesmente não sei. Não posso afirmar com toda certeza se vejo que as ruas daqui são tão tortas, devido à retidão extrema das ruas de lá, onde andava sozinha logo cedo. Não sei, juro que não, se respiro uma umidade no ar que nem existe, por conta do ar seco que havia por sobre tudo antes. Não sei se exagero nas coisas que acho, por causa das coisas que perdi. Talvez nem haja tanta beleza a minha volta, mas eu via, juro que via, fealdade demais no entorno de muito antes. E era uma que envolvia as palavras também e as cenas. Se agora cuido pouco das coisas que vieram depois, talvez seja mesmo por ter colado cacos demais, remendado panos, conservado objetos desmontados. Eu sei que coisas respondem mais que pessoas, mas duram somente enquanto estou. Um dia deixei algumas coisas numa caixa e a caixa se perdeu na viagem. Talvez eu também tenha me perdido na viagem, na vinda, na busca. Não sei. Simplesmente não. Não sei onde acondicionei as palavras melhores, as que iria usar no frio, as que viriam no meio da noite assaltar-me o sono. Não lembro se as envolvi em papel-jornal para que não trincassem. Coisas se quebraram na mudança, na estrada, em algum ponto do caminho que não vi. Talvez eu tenha me quebrado feito a ponta do lápis que eu usava, quando podia enxergar e desenhava o que não tinha poesia. Talvez eu veja céu demais agora, pela janela mínima ao lado da asa, porque andei demais por ruas que nem eram tão planas nem tão montanhosas. Eram minhas e... lá, eu me encontrava.
N.21.06.2010
N.21.06.2010
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Leio.