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4 de ago. de 2011

7 Graus

O frio veio impor coisas, limitar movimentos, adiar vontades e passeios. Invade pela fresta da janela um quase-minuano. Não nos perdoam por sermos de onde somos e, ainda assim, acharmos frio o frio que faz. Como será que parecemos aos olhos do mundo hoje? Uma vasta cabeleira lisa, de fios de muitas cores, de costas, de passagem na rua. Uma cabeça raspada grisalha e rente à pele, vista de relance...; dois corpos “magros”, duas pessoas bem-sucedidas, trabalhando na correria de São Paulo. Aos olhos do mundo pouco importa tua história, quem foste, o que viveste – ele não leu. Aos olhos vesgos do mundo, nada quer dizer tua busca incansável pela verdade do que sentes e a impossibilidade de as palavras descreverem tanto. Aos ouvidos desafinados do mundo, pouco interessam meus acordes adivinhados – ele não ouve. Escuta o som incessante dos transeuntes e isso lhe deve ser trilha sonora, bastando. À pele invisível do mundo, tanto faz se faz frio. Ela não toca nem se deixa tocar. Assiste às nossas cenas e isso lhe deve ser cinema. Será que fazemos diferença ao mundo como ele tem nos feito diferentes? Logo virá o calor e será a mesma coisa – novos movimentos furtados e outras vontades adiadas. Não nos pertenceremos enquanto o mundo for nossa habitação. Nem pertenceremos de todo ao mundo que não nos vê, nem ouve, nem sente. Nosso universo inteiro reside no que queremos agora, já, neste instante fugidio. Agora mesmo, o agora já se muda para o passado. O frio também passará num momento a seguir. Dentro, o aconchego é certo e recebe com carinho a todas as palavras em movimento.

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