Não to pensando agora, to sentindo. Sentindo coisas que nem vêm ao caso, mas são minhas e quero tê-las como tenho às vezes ao teu corpo nu e sem fronteiras. As minhas coisas têm urgência e fogo, pressa e desconforto enquanto não podem ser o que são e me querem como às vezes teu corpo quer o meu sem reservas. To sentindo as coisas que sinto e que me pertencem, simplesmente – e elas me escorrem das mãos quando o relógio vale mais e o tempo vale dígitos. E elas me vazam às vezes, como vaza meu corpo quando pousas a mão direita entre minhas pernas, quase como quem não quer nada, no meio do trânsito, no sofá da sala. Minhas coisas me abraçam e me pedem, fica! Conversa comigo! Nada penso agora, só sinto. Sinto muito. Muita coisa me aparece de rompante e me assalta, me tira do teu prumo ditado do dia a dia. As minhas coisas me adentram fora de hora, como faz tua língua, tuas mãos em minhas frestas. Nada me resta fazer a não ser isso, ceder ao que me tem e me pega de susto e sem defesas. Nada considero agora, apenas deixo que pulse, que lateje, que se erga e se reveja dentro de mim. E é assim também quando vens quieta, levantando-me do pouso, trançando tua perna entre as minhas, no meio da calada madrugada enquanto dormes e nem queres nada, a não ser ser minha. Minhas coisas adiadas, são como as tuas intenções vorazes, tuas palavras fortes, tuas atitudes-gelo em minha taça. Nada pondero agora. Nada concluo. Tudo vem à tona e se exibe diante de mim como teu corpo. Não reflito agora, nem calculo, não omito nada, nem disfarço. É tudo isso que me rompe as veias e surge no meio do teu sono – eu sinto. E me entrego às minhas coisas como me entrego às vezes à tua boca cheia de pressa e de desejo súbito.
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4 de ago. de 2011
No que você está pensando agora....
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Leio.