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17 de ago. de 2011

Des-espero

Des-espero.

Não digo que deixe que o tempo passe. Não deixo. Ele passa e é essa a sua função inadiável. Apenas des-espero. De nada me valeu esperar. Nunca gostei da palavra em si, nem das esperas em mim. Des-espero. Ouço o som dos dias, das ruas que contornam meu ponto aqui, parado – a despeito do tempo, ele não anda, não vai junto a lugar algum. O tempo leva a tudo consigo, não convida, leva! A todos, consigo. Des-esperado. O verão que não chamei vem. Declara guerra ao meu sono pouco. Me tira do prumo, incha meus dedos, despeja suor sobre a camada brilhante e limpa dos meus instrumentos. O frio vai se indo...como as lembranças boas, a nitidez dos rostos, o cheiro da cara de Olinda, o calor da lareira, a luz de inverno de um Porto inseguro. Des-esperador.

Necka Ayala

17.08.2011

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