Ela não entende, ela não entende, ela não entende, ela não entende. Ela não entende porque pensa. Com a razão. Com razão. Não penso. E a tudo entendo. Entendo que ela não entenda nada. Com razão. Tento ter compaixão. Mas se eu parar mesmo que por um segundo de sentir para permitir compaixão, paro de sentir o que estava sentindo e era urgente, era a hora daquilo que nem eu entendo, mas deixo que venha. Eu não penso. E a tudo sinto. Sinto muito que ela não entenda, mas tal como ela, não posso deixar de ser o que sinto, mesmo que ela seja o que pensa ser. Não faço idéia do que seja eu. E não quero fazer. Não importa mais – meu tempo mais consistente chegou ao fim e hoje é uma profusão impossível de coisas reais demais, rentes demais ao chão, concretas demais para que eu consiga esmurrar o bastante. Meu tempo passou, minhas mãos estão fracas – falta a força que eu tinha e, nos meus pensamentos, encontro cacos de vidro. Há cacos de vidro por onde meus pensamentos andam. E há lâminas afiadas por onde minhas mãos reviram palavras. No silêncio das primeiras horas da manhã é que encontro descanso, depois de abandonar o leito quente e seguro. É na perdição das coisas sem nome, errantes e vazias ainda, que vejo luz e movimento – e é uma luz difusa a que prefiro. A sombra, a meia-luz que contrasta com esse sol medonho, invasor... nessa janela.
Necka Ayala. 17.08.2011
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Leio.