Há tempos venho pensando como podem as pessoas, de modo geral, o mundo, a cidade à nossa volta, o povo, a humanidade, gostar tanto de merda. Porque é uma merda a música que se tem ouvido, os políticos que se tem eleito, as notícias que se tem lido, as manchetes que se tem visto ao abrir nossas páginas; é uma merda a forma como as pessoas batem boca por pouco nas ruas; como se perde a paciência, como se permitem as violências, como se acostumam com pouco – pouco sentimento, pouca verdade, pouco caráter, pouca honestidade. É uma merda ver tanta gente sem fé, sem sentido para sua vida, sem auto-respeito; como é, a forma como pessoas tratam outras, como se submetem a viver de migalhas ou quase-nada-de-carinho. É uma merda ver jornalista postando fofoca inútil, como é lamentável que se veja tanta gente interessada nisso, o que é pior. Gente dando corda pra coisas fúteis, inúteis. Gente que não pede mais, que não se mobiliza em torno de algo decente e bom, valioso e relevante. Gente que não cobra pela palavra honrada! Sem orgulho por si mesmo, sem amor próprio – se contentando, muito, com nada. Não acredito que todo mundo goste tanto assim dessa merda toda. Que ninguém mais fale nada, não se pronuncie, não se levante. Como não acredito que seja isso que as pessoas queiram – essa pressa toda e o não-contato humano com o outro. Porque, na boa, quando sorrimos sincero, abraçamos mesmo e oferecemos uma gota de luz, é lindo demais ver a resposta – e ela vem. Ah se vem. Seja quando a gente mostra uma música linda, um poema novo, uma palavra que conforte...o povo quer isso! E quer, mas ninguém mais oferece, mostra, partilha. Ao vivo, a cores, perto, junto, com! É uma merda que todo mundo se restrinja a msn e facebook, em vez de estar cara a cara, rindo junto um mesmo instante bom em comunhão.
Se você é uma mosca...
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Leio.