Não me divertem. Me sinto mal em ver tantos. Alguns de sentimentos que deveriam ser nobres. Alguns de diversão que não levam a nada, a não ser fingir que o tempo foi útil e, finalmente, passou algum! Vejo muito. Vejo gente procurando qualquer coisa, qualquer coisa que distraia, que ajude a fugir do que precisava ser visto, encarado, digerido, superado com coragem. Gente se ocupando de postar o horóscopo do dia, fotos de cadeiras com defeito nos parques, pedindo para que eu faça parte do calendário de aniversários...; arremedos de interação. Vejo gente desfilando de poderoso, de melhor – no todo da vaidade, quando a real é que não se aguentam, não se confiam, arremedo de segurança. E tem de amizade também. Tem de artistas, muito, mas muito! Tem arremedo de coisas tão tristes...centenas de fãs de shows de dragqueens. E que mal me faz ver isso. Gente que queria tanto, mas tanto ter nascido noutro corpo, que se monta, se fantasia e tenta, tenta muito se ver como gostaria, enganar por algumas horas o espelho, forjar o inforjável – como deve ser ruim o depois, a chegada em casa e a nudez. Arremedos crus. Tem parasitismo que é arremedo de amor. Tem gente se agarrando lunaticamente a Deus, num arremedo de fé. Tem gente freneticamente rindo, arremedando alegria. Hoje escolho não ver. O que posso, evito. Porque não tenho como clarear os olhos do mundo como clareio meus brancos na soma da água quente com o sabão de coco. Ando cansada. Aquele cansaço de quem já viveu um tanto mais do que imaginam os outros. Que já viu tanta coisa que agora precisa e quer sossego. Preciso dessa paz do afastamento, paz mesmo!
Necka Ayala. 05.03.2012
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