Desde sempre. Desde quando me lembro de mim mesma, a mesma revolta com a mesma coisa. Sempre essa sombra dessa mesma coisa que me assusta, me assombra e me furta de qualquer paz prometida nas cartas. As coisas que não ficam. Desde a eternidade, das outras vidas se houve alguma antes, desde que eu nem era nada, essa perseguição – as coisas que não ficam. Um melhor amigo que mudava-se de repente. A morte de mais um ídolo, um filme que acabava, uma sensação que não voltava. Um trabalho que acabara de me apegar, uma turma que se desfazia do nada. As coisas que não ficam. Sempre tive problema com isso, em aceitar que não fiquem as coisas que gosto ali, certas, seguras, firmes, permanentes. Poucas coisas que preciso ficaram nesses 48 anos – minha fé, que às vezes vai mas volta, a música que às vezes sai para passear mas retorna à casa onde nasceu e meu cigarro – o eterno companheiro! Está quando rio, quando choro, quando calo, quando grito, quando latejo, quando desisto, quando chego, quando quero!
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Leio.