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19 de out. de 2012

Guias.


Houve tempos em que eram as perguntas que me guiavam. As lacunas. Os vazios. Mais tarde foram os desencontros, os desencantos – outros vazios. Depois a transitoriedade necessária, mestre rígida em seus ensinamentos todos. E acho que consegui passar. Quando começaram a chamar meu nome associado à palavra artista, disseram que todo artista precisava sofrer para criar. Esperei. Quis ver se o tempo falaria aos meus ouvidos sobre isso. E deixei esse novo vazio cumprir sua vinda, sem me ater a ele. Segui criando, porque era tudo que eu queria. Não sei se é assim, ainda hoje não sei. Sei que as coisas da noite, aquelas que nos remetem às lágrimas, que nos tocam fundo, que nos falam mais longe, que nos trazem saudade, que nos movem o sangue, as sorrateiras, as súbitas, as inevitáveis, sim...trazem mais e mais palavras – pedem muito entendimento. Trazem mais notas também. Às vezes fecham um pouco as cortinas e silenciam a rua, para que o ambiente comungue e despose a arte que vem. E é como o céu preparando tempestade. Quando chove, quando chovem palavras, tudo é regado. A vida se semeia. Floresce. E a beleza vem vestir a tudo para que haja, também, sorrisos ao encontrar jardins. Tudo se irmana, afinal. Noite e o dia que vem dela. Dia e a noite que vem dele. Lágrima que precede o riso. Riso que antecede dor. Tudo é duo, par, comunhão.
Mais tarde foram os cortes que me guiaram na busca. E acabei por atravessar mais essa ponte. Agora é a distância o que mais sinto. A longitude dos meus. Essa vastidão de terras e nuvens que há entre mim e eles. Essa vastidão de horas entre o agora e o depois, quando for revê-los. E é tudo guia, afinal. Onde há alguma fertilidade, cai semente das mãos do Criador. Assim, Ele também comunga eternidade afora da própria criação – e nada no fim das contas pára. Não houve somente 7 dias. Tudo continua sendo criado, nesse imenso e infindo Jardim ...

Necka.

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