Houve
tempos em que eram as perguntas que me guiavam. As lacunas. Os vazios. Mais
tarde foram os desencontros, os desencantos – outros vazios. Depois a
transitoriedade necessária, mestre rígida em seus ensinamentos todos. E acho
que consegui passar. Quando começaram a chamar meu nome associado à palavra
artista, disseram que todo artista precisava sofrer para criar. Esperei. Quis
ver se o tempo falaria aos meus ouvidos sobre isso. E deixei esse novo vazio
cumprir sua vinda, sem me ater a ele. Segui criando, porque era tudo que eu
queria. Não sei se é assim, ainda hoje não sei. Sei que as coisas da noite,
aquelas que nos remetem às lágrimas, que nos tocam fundo, que nos falam mais
longe, que nos trazem saudade, que nos movem o sangue, as sorrateiras, as súbitas,
as inevitáveis, sim...trazem mais e mais palavras – pedem muito entendimento.
Trazem mais notas também. Às vezes fecham um pouco as cortinas e silenciam a
rua, para que o ambiente comungue e despose a arte que vem. E é como o céu
preparando tempestade. Quando chove, quando chovem palavras, tudo é regado. A
vida se semeia. Floresce. E a beleza vem vestir a tudo para que haja, também,
sorrisos ao encontrar jardins. Tudo se irmana, afinal. Noite e o dia que vem
dela. Dia e a noite que vem dele. Lágrima que precede o riso. Riso que antecede
dor. Tudo é duo, par, comunhão.
Mais
tarde foram os cortes que me guiaram na busca. E acabei por atravessar mais
essa ponte. Agora é a distância o que mais sinto. A longitude dos meus. Essa
vastidão de terras e nuvens que há entre mim e eles. Essa vastidão de horas
entre o agora e o depois, quando for revê-los. E é tudo guia, afinal. Onde há
alguma fertilidade, cai semente das mãos do Criador. Assim, Ele também comunga
eternidade afora da própria criação – e nada no fim das contas pára. Não houve
somente 7 dias. Tudo continua sendo criado, nesse imenso e infindo Jardim ...
Necka.
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