E
era como aquele primeiro tom róseo do dia sobre as penas brancas das gaivotas
pousando frente ao mar. Como o abrir dos olhos à primeira visão de um filhote
recém parido. Como o broto tímido que emerge da ponta do galho. E era como o
vítreo reluzir do olho azul de água marinha que tem um gato. Ou a mão de um
bebê sobre o rosto de quem o embala. Como olhar caído de um anjo down, lindo!
Era lindo como o encontro das águas quando mútuas. E aquela lua a esboçar risco
branco contra o breu do céu do planalto. E aqueles vagalumes circulando o topo
do poste do outro lado da rua. E era como a dança lenta do cavalo-marinho
cortejando a amada. Como o bocejo do filho beirando às dez da noite. Como a
subida da serra para São Francisco. Como a descida para a Barra da Lagoa ao fim
das tardes. Lindo como o imenso por do sol pela minúscula janela do avião numa
primeira vez. Ou o contraste da brancura colando em pele amorenada. Era assim.
Coisa de Deus. Sei, porque vi. Vi, porque chamou meu nome em sussurro a voz da
deusa do mar. Alguém havia pedido e Ela, generosamente azulada, assentiu. Era
colo de nuvem. Era brisa varando fresta. E tudo estava nos meus olhos ainda
puros.
Necka Ayala.
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